A tecnologização da morte: filosofia, ciência e poesia

Edgar Lyra

Resumo


Resumo: Há, desde a década de 1960, um número significativo de autores – profissionais de saúde, sociólogos, historiadores – debruçados sobre as alterações das representações da morte e do morrer no cenário de hegemonia tecnológica. Serve como ponto de partida deste escrito um artigo de 2005 do italiano Franco Carnevale, que enxerga na filosofia de Heidegger caminho para pensar a morte numa chave outra que a da ocupação com paliativos técnicos ou a busca de sua definitiva superação. A ideia é colocar o pensamento heideggeriano em diálogo com um universo mais amplo de estudos sobre a morte. São priorizadas as análises do ser para a morte desenvolvidas em Ser e tempo, transpostas para o cenário tecnológico recente com auxílio das considerações sobre a essência da técnica contemporânea formuladas em A questão da técnica. Também a poesia, na figura dos escritos tardios do poeta alagoano Lêdo Ivo, é trazida para esta conversa na expectativa de que possam assim surgir, mesmo em caráter muito preliminar, reverberações que permitam, em meio aos novos enquadramentos da morte promovidos pela sua recente “tecnologização”, fomentar a discussão sobre nossa finitude, pari passu, a revitalização da interrogação heideggeriana sobre a essência da técnica.

Palavras-chave: Heidegger; morte; tecnologia; medicina; poesia.

 

Abstract: Since the 1960s, a significant number of authors – health professionals, sociologists, historians – have examined the changes in the representations of death and dying in the scenario of technological hegemony. The starting point of this paper is an article written in 2005 by the Italian Franco Carnevale. He sees in Heidegger’s philosophy a support for thinking death in a key other than that of the occupation with technical palliatives or the search for its definitive overcoming. The idea is to put Heideggerian thinking in dialogue with an wider universe of studies on death. We priorize the analysis of Being toward Death in Being and Time, transposed to the recent technological scene with the help of the considerations about the essence of contemporary technique formulated in The Question Concerning Technology. Also poetry, in the figure of the late writings of the Alagoan poet Lêdo Ivo, is brought to this conversation. Amidst the new “enframings” of death promoted by its recent “technologization”, we expect that, in a rather preliminary way, reverberations may emerge that encourage the discussion about our finitude, pari passu, the revitalization of the Heideggerian questioning on the essence of the technique.

Keywords: Heidegger; death; technology; medicine; poetry.


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 ISSN 2175-2834