O Corpo como ensaio para o amor e para a morte

narcisismo e desamparo em tempos de pandemia

Autores

  • Josiane Cristina Bocchi Universidade Estadual Paulista – Faculdade de Ciências de Bauru, Departamento de Psicologia, UNESP-Bauru.

Resumo

Esse trabalho realiza aproximações entre os conceitos freudianos de narcisismo e de desamparo (Hilflosigkeit). O objetivo é refletir sobre o modo como o isolamento social e a pandemia de 2020 afetam nossas relações com o corpo, com as experiências de perda e de angústia diante do risco de adoecimento e morte. Discute-se que evitar o encontro com o desamparo fomenta modalidades de subjetivação por sujeição e por fixação melancólica, bem como atitudes de negação em relação à experiência da realidade. O excesso de demandas de amor e amparo reduz o sofrimento ao anseio por reasseguramento narcísico, o que limita a busca de transformação da experiência do desamparo e do próprio ato de sofrer. A partir do aporte teórico e clínico psicanalíticos, discutimos modalidades de reação social e subjetiva na atual configuração sociopolítica da pandemia. Concluímos que existe um egoísmo a ser abandonado, sob a pena de adoecermos muito mais. Este parece ser o caso da fixação aos sistemas fechados e totais

Biografia do Autor

Josiane Cristina Bocchi, Universidade Estadual Paulista – Faculdade de Ciências de Bauru, Departamento de Psicologia, UNESP-Bauru.

Psicóloga, doutora em Filosofia pela UFSCar. Atualmente, Professora Assistente Doutora do Departamento de Psicologia, Faculdade de Ciências - Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Campus de Bauru.

Publicado

2020-12-31