Notas sobre o estatuto da puberdade na concepção freudiana de sexualidade

Autores

  • Pedro Fernandez de Souza UFSCar

Resumo

Na ´primeira teoria etiológica das neuroses de Freud (a chamada teoria da sedução), o sintoma neur´ótico manifestaria a reativação de um trama sexual sofrido na infância (fase em que o indivíduo seria ainda assexuado). Haveria, assim, uma "ação póstuma" do trauma, que auferiria sua potência sintomatogênica apenas com a puberdade (fase em que despontaria a sexualidade). Sabe-se que esse esquema foi em larga medida abandonado por Freud: na psicanálise propriamente dita, a criança é considerada um ser sexuado, e o regime infantil das pulsões sexuais é caracterizado como perverso, polimorfo e, ademais, altamente importante para o ulterior destino psíquico do indivíduo. Com isso, aparentemente a puberdade sofre um ocaso conceitual, perdendo seu papel decisivo para a eclosão da neurose. Lendo atentamente os textos de Freud em que a puberdade faz presença, nota-se todavia que ela ainda é conceituada como um momento-chave do desenvolvimento psicossexual: na puberdade, as pulsões sexuais são reativas, atingem sua magnitude máxima e, além disso, levam o desenvolvimento à sua "configuração definitiva". Tendo essa aparente contradição em mãos, partimos para uma leitura mais detalhada dos conceitos freudianos relativos à puberdade, sobretudo nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Intentamos, assim, utilizar a puberdade como um caso privilegiado para o estudo, mais amplo, das relações entre método e objeto em psicanálise, levando em conta seu caráter fronteiriço perante a ciência biológica.

Publicado

2022-06-24

Edição

Seção

Freud: ensaios sobre psicanálise