A tonalidade política na crítica da subjetividade de Heidegger

Autores

  • GUSTAVO FERREIRA Universidade Federal do Ceará

Resumo

O presente artigo defende que e apresenta como, através da crítica da metafísica da subjetividade, a filosofia heideggeriana adquire um tom político. A crítica de Heidegger à metafísica da subjetividade ocupa lugar central em sua crítica à história do pensamento ocidental. E quando tal crítica chega, em sua evolução histórica, ao século XX, Heidegger logo concluirá que estamos, via metafísica da subjetividade, nos engendrando na era da técnica, a qual traz consigo consequências nefastas enquanto não superação e continuação da metafísica da subjetividade. Desta sorte, o discurso heideggeriano em relação à técnica e ao sujeito, a partir de 1930, passa a assumir uma tonalidade política que terá sua aparição em diversos momentos do pensamento heideggeriano até 1970. Tal discurso de tonalidade política se iniciará influênciado pela filosofia de Ernst Jünger, na década de 1930. Com tal discurso, poderemos ver uma crítica histórico-metafísica da subjetividade que adquire um tom político e expõe, para além de guerras atômicas, até mesmo o mecanismo de subjetividade e técnica de campos de extermínio e lógica da produção. Não se trata de configurar uma filosofia política em Heidegger mas, isto sim, da ascensão de uma tonalidade política no pensamento do autor. Essa tonalidade política constitui o momento mais nevraugico da crítica heideggeriana à metafísica da subjetividade, de modo que tal tom político se mostra como codependente dessa crítica e aponta as significativas consequências da não superação do sujeito.

Publicado

2022-06-08

Edição

Seção

Colóquio 25 anos Martin Heidegger