O ideário moderno da multidão na mirada sociológica de Sigmund Freud

Psicologia de grupo e análise do Eu, 1921

Autores

  • Pedro Rocha de Oliveira Depto de Filosofia - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Resumo

O presente texto procura promover uma análise do Psicologia de grupo e análise do Eu, de Sigmund Freud (1921), visando explicitar e sublinhar as ideias políticas e antropológicas que estão por trás das escolhas teóricas feitas pelo autor no âmbito da psicologia social, mapeando, posteriormente, o impacto dessas escolhas sobre sua teoria dos instintos. Para tanto, utilizamos principalmente duas balizas. A primeira é uma caracterização histórica e teórica daquilo que chamamos de discurso moderno a respeito das multidões, paradigmaticamente caracterizado em termos políticos e filosóficos, e tendo ramificações importantes para a psicologia social clássica do final do século XIX e início do XX, com a qual Freud dialoga de perto. A segunda é a concepção antropológica que Freud desenvolve no Totem e Tabu (1914), e que depende fundamentalmente de uma certa imagem do ser humano primitivo. Demonstramos como essa imagem desempenha um papel de destaque nas explicações de nosso autor a respeito do desenvolvimento psíquico individual, acompanhando os raciocínios que relacionam mutuamente a suposta “horda primitiva”, o conceito de “ideal do Eu” e as concepções psicanalíticas de moralidade, sexualidade e religião. Finalmente, lançando mão de ilustrações antropológicas e etológicas diferentes daquelas empregadas originalmente por Freud, sugerimos alguns caminhos alternativos para recolocar os problemas relativos ao fenômeno da multidão a partir do sistema teórico freudiano.

Biografia do Autor

Pedro Rocha de Oliveira, Depto de Filosofia - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Graduado em Filosofia pela UERJ (2002), onde desenvolveu pesquisas de iniciação científica sobre a metafísica de Spinoza e de Hegel. Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2005), tendo defendido a dissertação "Dialética Negativa como perspectiva para o pensamento", abarcando temas de teoria do conhecimento e pensamento político em Kant, Hegel e Adorno. Doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2009), com a tese "Estetização da Realidade: Ideologia e Arte sob o Capitalismo Tardio". Desenvolveu pesquisa sobre estética modernista e Crítica da Economia Política na Universidade de Manchester, Reino Unido, durante o ano de 2007-2008. Pesquisa a modernização capitalista em crise e suas interpretações estéticas, sociológicas e filosóficas. Foi professor Adjunto do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora (2010-2013). É professor Associado do Departamento de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Membro do Grupo de Pesquisa "Interfaces: técnica, arte e questões ético-políticas no pensamento filosófico" (UNIRIO) desde 2013.

Publicado

2022-03-02

Edição

Seção

Freud: ensaios sobre psicanálise